A partir do renascimento houve uma apreciação maior da arte antiga em contraposição à arte medieval. Daí vem o nome renascimento, como se o período da Idade Media fosse um período morto para o desenvolvimento artístico e cultural.
Mas o que se passou a buscar não era a copia das obras clássicas, mas o modo harmonioso e belo dos antigos.
Donatello foi um dos maiores escultores italianos do período. Ele não tinha a preocupação em fazer tudo claro como era a arte medieval, quis representar o caos a que faz menção sua obra. Não se pode representar o Festim de Herodes de maneira a não colocar toda a agitação que este deveria ter.
Em acompanhamento ao desenvolvimento cientifico, Brunelleschi desenvolveu pela matemática, a perspectiva. Não que não houvesse o escorço feito pelos gregos, porem foi nessa época que se utilizou dados matemáticos para criar o efeito de perspectiva.
Nesse período, os pintores querem aprimorar suas obras. Mas para que se possa fazer algo mais detalhado, mais aperfeiçoado a tinta existente até então não ajudava, pois era feita com ovo e secava rapidamente. Na busca por uma solução Van Eyck inventou a tinta à óleo, que, em vez d utiliza a clara do ovo para transformar o pó colorido em uma pasta, o óleo permitia a mescla entre cores, e permitia que se trabalhasse por mais tempo em um mesmo trecho da obra por não secar tão rápido. Assim pode-se aprofundar a tendência de valorizar os detalhes, a perfeição na imitação da natureza.
Surgiu então o problema da disposição das coisas no conjunto, que é um ponto principal para que a obra seja harmoniosa, é um ponto importante para um artista. Masaccio. Ticiano chegou a deslocar a Virgem do centro da imagem.
Mas a perspectiva passou então a ser muito utilizada priorizada, até que se perdeu outras qualidades do trabalho artístico. Artistas como Uccello se empenharam tanto em fazer a perspectiva que suas obras perdem em movimento, chegam a parecer cavalos de mentira, mas sua preocupação está voltada para outro aspecto. Após esse desgaste dessa técnica novos pintores vão mudar o foco de preocupação, vão chegar a utilizar menos as novas tecnologias.
A invenção da imprensa colaborou para que esses novos valores de investir nos detalhes da obra fosse disseminado por toda a Europa. Ainda não era considerado desonroso usar o trabalho de outro artista como base para suas criações, então os artistas viam livros com figuras e estampas de italianos e desenvolveram suas artes no Norte. As estampas eram usadas pela Igreja como sermão. A principio com a xilogravura, mas como esta não permitia muitos detalhes desenvolveu-se a calcogravura (em cobre)que deu mais liberdade aos artistas.
Com o desenvolvimento das cidades italianas, passou a haver uma disputa para qual cidade teria maior fama, e elas começaram a investir em artistas para que criassem obras grandiosas para seus edifícios e áreas urbanas. A partir deste momento o artista foi deixando de ser um vendedor como outro qualquer, ele não obedecia mais aos pedidos, aos mandos do cliente, ele era o próprio criador independente e respeitado. Assim pode haver um desenvolvimento mais livre da arte pelos interesses dos artistas. Que até então eram vistos como menos dignos de respeito que um poeta por fazer uma atividade manual. Desde a Grecia pensava-se dessa forma.
Nesse período artistas como Da Vinci, Michelangelo e Rafael pesquisaram sobre o corpo humano, sobre a natureza e aprofundaram sua analise para que suas obras fossem uma copia perfeita da natureza. Até Da Vinci havia um problema na representação, apesar de tentarem dar um ar de movimento às obras, elas pareciam estáticas. Foi com a técnica do sfumato descoberta por Da Vinci que se passou a obter um movimento nas obras. Essa técnica consiste em deixar para a imaginação, para o observador imaginar a continuação do desenho. Na Mona Lisa essa técnica foi utilizada nos cantos da boca e dos olhos.
A cada novo descobrimento mudavam-se os valores. Antes a prioridade passou a ser a perspectiva, sem movimento, sem aparentar ser objetos reais. Depois tendeu-se a se preocupar mais com aparentar ser real, com todos os detalhes e proporções (em oposição ao período medieval que colocava maior o que era mais importante e menor o menos importante – não que não tenha havido nenhum artista nesse período que tivesse utilizado as não proporções para criar harmonia, como Durer que fez Adao e Eva com braçoes e pernas mais longos.). Até a descoberta de como dar movimento ao trabalho.
Chegou-se então ao limite dessa forma de arte, não se acreditava ser possível suplantar os grandes mestres desse período. Passou-se a fazer quadros que exigiam tanto conhecimento prévio que parecia mais um quebra cabeça que só os mais eruditos poderiam compreender a obra. Como o que os eruditos da época acreditavam significar os hieróglifos egípcios, era necessário entender para acompanhar a obra.
Na arquitetura a preocupação em superar os mestres levou a construções em que a finalidade da construção foi prejudicada em função das criações. Foi nesse período que se construiu a janela em forma de face.
Os maneiristas como Giovanni da Bologna e Parmigianino preferiram desafiar as bem estabelecidas regras e mostrar que efeitos surpreendentes poderiam ser obtidos. Tintoretto trabalha com as tonalidades quebradas para aumentar a tensão.
“Seu quadro do combate de S. Jorge com o dragão, em Londres (fig. 234), mostra como a luz sobrenatural e as tonalidades quebradas aumentam a sensação de tensão e excitação. Sentimos que o drama atingiu seu clímax nesse exato momento. A princesa parece estar fugindo do quadro em nossa direção, ao passo que o herói, contra todas as regras, é afastado para o fundo da cena.” (GOMBRICH, Ernest H., História da Arte, 16 Ed. Rio de Janeiro: LTC,2000)
Enquanto no Sul, na Italia, a preocupaçao era em como inovar na arte, no Norte, com a Reforma, com Lutero, passou-se a questionar se a arte deveria representar temas religiosos. Tambem passou-se a criticar o luxo. Os pintores dessa região tiveram grandes dificuldades e desenvolveram mais a arte retrato, que faziam dos doadores.
Nos Países Baixos, alem dos retratos desenvolveu-se a pintura da natureza, um flor, um celeiro, um rebanho de ovelhas. E esses artistas passaram a buscar mercado para suas especialidades.
Já no século XVII, passou-se a buscar não mais a beleza ideal dos clássicos, seguindo a tendência maneirista, o objetivo era representar exatamente como se via, seria representar, vamos dizer assim, a verdade. Considerado naturalismo.
Os pintores holandeses dessa época não eram especializados em retratos, primeiro faziam suas obras e depois saiam para vende-las, diferente da idade media e da renascença italiana que primeiro recebiam a encomenda para então trabalhar na obra. Apesar de agora não terem mais um patrão que diz que tipo de obra quer, esse modo não Poe um tipo de freguês certo do outro lado, que comprará o trabalho. É preciso sair para vender. É nessa época que os pintores se especializam em um tipo de pintura, seja ele o mar, natureza morta d frutas, plantas, pois os artistas passam a ser conhecidos na feira pelo estilo que melhor pintam, e não tão facilmente vendem suas obras que não sejam do tema que já são conhecidos por pintar bem.
Essa liberdade maior leva a pintores a fazerem o que quiserem, e da mesma forma que os bons pintores poderão desenvolver obras melhores, os maus pintores acabarão por fazer pior do que se tivessem algo certo por fazer, sem liberdades. Isso se intensificou no período moderno.
As naturezas mortas permitiam ao artista experimentar disposições dentro do quadro. E isto passou a ser a busca dos novos artistas. Vermeer foi um desses.
(Barroco) Ao mesmo tempo em que isso se desenvolvia no Norte da Europa. No Sul, na Itália, a Igreja contratava mais e mais artistas para criar obras que não só ensinassem o que dizia a bíblia para os que não sabiam ler, mas que convencesse os que leram demais a retornar ao catolicismo. Essa arte utiliza de cores, luzes para dar um caráter teatral.
Nesse período ainda maneirista havia uma discussão sobre se deveria permanecer copiando as obras dos grandes mestres ou se seria arte inovar, fazer algo diferente.
A pintura passou a ser algo ensinado nas academias como a filosofia. E a própria ênfase dada nos mestres do passado gerava a venda de obras deles e não dos novos e vivos artistas. Dessa forma, passou-se a fazer exposições para que se observassem os novos pintores e não só os antigos.
Passou-se também a buscar novos temas para se pintar. Temas não religiosos, temas de Shakespeare, de outros textos, acontecimentos históricos, acontecimentos recentes. E essas inovações modernas se deram principalmente na América, onde havia menos influencia das academias, das regras pré-estabelecidas.
No fim do século XVIII, com a Revoluçao Francesa, põe-se finalmente em questão alguns pressupostos que haviam sido tomados por verdadeiros há muito tempo. A primeira dessas mudanças refere-se à atitude do artista em relação ao que se chama estilo. Na arquitetura, questionou-se porque todos seguiam o que havia no livro de Palladio. Walpole foi um dos primeiros a querer ter seu próprio estilo. Foi um dos primeiros indícios daquela consciência individual que levou as pessoas a escolherem o estilo de suas casas do mesmo modo que se seleciona o padrão do papel de parede.
Nenhum comentário:
Postar um comentário