sexta-feira, 3 de junho de 2011

Teoria da ação comunicativa de Habermas:

Possibilidades de uma ação educativa de cunho interdisciplinar  na escola.

O texto na íntegra encontra-se no site http://www.scielo.br/pdf/es/v20n66/v20n66a6.pdf


Maria Augusta Salin Gonçalves
Professora do Programa de Mestrado em Educação da Universidade do Vale do Rio dos Si-
nos – Unisinos.

          RESUMO: O objetivo deste artigo é apresentar e discutir condições teórico-práticas da execução de um projeto de ação educativa de cunho interdisciplinar na escola, tendo como base a teoria da ação comunicativa de Jürgen Habermas. Inicialmente, apresentamos aspectos significativos dessa teoria. A seguir, apresentamos linhas norteadoras que adotamos como ponto de partida e suporte da pesquisa-ação, e que fornecem também as categorias para análise e interpretação da experiência.

           Pode-se afirmar que, de maneira geral, é grande a preocupação dos educadores com a atomização do conhecimento existente nos currículos escolares, que produz uma visão fragmentada do real, desvinculada de um contexto histórico e distanciada da realidade na qual o aluno vive. Educadores, sociólogos e epistemólogos têm analisado essa questão sob diferentes perspectivas e trazido importantes contribuições no que diz respeito à interdisciplinaridade, visualizando-a como uma possibilidade de superação dessa fragmentação do conhecimento, tanto em nível de currículo como de pesquisa (Etges 1993; Fazenda 1991 e 1994; Freitas 1989; Frigotto 1993; Jantsch e Bianchetti 1995; Japiassu 1976; Lück 1994; Severino 1995; Siebeneichler 1989; entre outros).
           Neste artigo, pretendo abordar essa questão na perspectiva do currículo na escola básica, cujos objetivos são anunciados no sentido de for-mar cidadãos que participem ativa e criticamente do processo cultural de sua época histórica. Parece-me pertinente colocar aqui a questão: Como possibilitar ao aluno condições de participação ativa e crítica, em uma estrutura escolar que em si mesma é fragmentada e destituída de vinculação com a vida concreta e com os problemas de sua época histórica?
           Por outro lado, essa estrutura curricular gera um isolamento entre os professores, ficando cada um fechado na sua disciplina, pouco comunicando-se com os colegas a respeito dos problemas educacionais em geral e dos relativos aos seus alunos em particular.
           Não pretendo, neste artigo, deter-me na crítica à escola dividida em diferentes disciplinas com programas específicos e conteúdos determinados desde cima, mas, sim, refletir sobre as possibilidades de, dentro das condições atuais de ensino, minorar as conseqüências da fragmentação dos currículos escolares e das condições de isolamento do professor.

2 comentários:

  1. Concordo que o ensino multi-disciplinar é um desafio para os professores. Eu fiz uma graduação que prentendia se inserir neste contexto, engenharia ambiental. Em cada um dos 5 anos da graduação havia uma disciplina temática que deveria dar conta de relacionar todos os conteúdos vistos nos dois semestres daquele ano. Mas o que aconteceu, com exceção de apenas um ano, foi que o professor responsável pela disciplina dava conteúdos e trabalhos sobre sua especialização mesmo. Não digo que seja culpa deles. Mas acho que a proposta tem que vir junto com uma preparação dos professores, para que eles estejam aptos a enxergar os conteúdos de forma integrada também e, mais que isso, para que eles consigam transmitir os conteúdos de forma integrada.

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